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MEDICAMENTOS – SALVADORES E MORTAIS

No artigo, “Drogas, não dá para ficar em cima do muro”, o jornalista Carlos Alberto di Franco (Estadão 13.01.20) aponta a gravidade do mercado das drogas ilícitas. Aqui, faço um paralelo com suas reflexões, para chamar atenção para o igualmente problemático mercado das drogas lícitas.

Sim, o mercado de drogas lícitas, especialmente na forma de medicamentos, é atestado pela posição do Brasil na liderança mundial, muito acima dos outros países, de um consumo incentivado, apresentado como necessário e somente benéfico.

Como médico, reconheço, usufruo e atesto os benefícios dos medicamentos químicos, cuja aplicação se impõe para o tratamento de muitos eventos patológicos. Mas, também, preciso alertar para os malefícios que provocam, em função da triste realidade do uso indevido.

É assustador o número de pessoas que morre por complicações provocadas por medicamentos, usados no dia a dia, por automedicação ou prescritos por médicos, especialmente durante internações hospitalares: uma bactéria, um vírus ou alguma outra condição é sempre responsabilizada pela tragédia. Mas, não é possível ceder a síndrome do avestruz quando a vida está em jogo.

Um mercado que se estende sem limites, torna as pessoas consumidoras crônicas de drogas de todos os tipos. Mal informadas e inseguras, pensam ser necessário medicar-se ante qualquer desconforto ou sintoma, mantendo o organismo intoxicado e o sistema de defesa inibido.

Medicamentos, por serem importantes e salvadores em muitas situações – infecções graves, infarto cardíaco, acidente vascular cerebral, entre outras – não devem ser entendidos e usados como benéficos e necessários para todos os casos.

A ideia dos medicamentos como única forma de promover a saúde faz com que as pessoas, ao usá-los, pensem fazer o melhor e desconsiderem as práticas e atitudes pessoais, essenciais e indispensáveis para a cura e a saúde permanente.

O uso prolongado de medicamentos é quase sempre impróprio porque significa a persistência dos problemas para os quais foram indicados, e que deveriam ter sido curados e não apenas “controlados”. Afinal, problema de saúde controlado não é curado.

As drogas ilícitas, com seu poder destruidor reconhecido, são combatidas por todos e criminalizadas pela justiça. Mas, os medicamentos, não entendidos como perigosos e mortais, proliferam em campo aberto, comercializados em pontos modernos, imponentes que florescem em cada esquina das cidades.

As doenças avançam e sua causa principal, os maus hábitos de vida, continuam fora da agenda privada e pública de governos, instituições de saúde e faculdades de medicina. Concentram-se na disseminação dos medicamentos, quando deveriam desenvolver trabalho sério, permanente, veemente, de educação em saúde.

Um importante prejuízo dos medicamentos é inibir e até anular o sistema de defesa do organismo, provocando a recorrência das doenças e o uso de mais e mais medicamentos: um círculo vicioso que precisa ser rompido e substituído pelo círculo virtuoso da cura e da saúde verdadeiras.

Medicamentos, muito frequentemente estão na raiz das doenças crônicas e mortes precoces, pois, enquanto as pessoas são mantidas sem fazer sua parte de cuidar bem do próprio corpo, a cura real não acontece.

Acho injusto e perverso manter a ideia equivocada de uma solução fácil e rápida através dos medicamentos, sem a necessidade de mudanças, esforços e renúncia pessoais. Documentários, como, “A pílula mágica”, Whats the health”, “Food matter”, “Food choice”, entre outros disponíveis na internet, são instruções ricas e sérias para sua conquista de sua saúde.

Claro, a consulta médica é o melhor momento para o paciente aprender sobre saúde, aprender como fazer para viver sem adoecer. A falta dessas instruções e sua substituição pelo excesso de medicamentos prescritos, são importantes causas da péssima condição de saúde da maioria das pessoas.

“O hediondo mercado das drogas químicas está dizimando a juventude do nosso país”, diz, di Franco em seu artigo. Digo eu: o hediondo mercado das drogas químicas lícitas – medicamentos – está dizimando a saúde e a vida de pessoas de todas as idades.

A medicalização exagerada vem acompanhada de: 1. uso prolongado – medicamentos usados durante vários anos, para os mesmos problemas de saúde. 2. riscos ignorados – nem os efeitos colaterais e riscos referidos na bula são considerados. 3. Polimedicação – muitos medicamentos ao mesmo tempo, produzindo compostos secundários, tão desconhecidos quanto prejudiciais.

Cada pessoa tem o direito de escolher o modelo de tratamento que quer seguir. Meu propósito é apresentar uma abordagem médica e filosófica para que o direito de escolha seja mais justamente exercido. Em velórios, é comum ouvir um familiar do falecido dizer: “morreu, mas fez tudo que devia ter feito”. Bem, nem sempre; outros caminhos poderiam ter sido usados, pelo menos diante da falta de melhora e proximidade da morte.

Louvo a Deus pelos medicamentos disponíveis para tratar graves problemas de saúde, mas, também, por conhecer seus limites e entender que eles não servem para tudo, nem sempre, e por ter aprendido outros recursos essenciais para a promoção da saúde. Saúde, Deus lhe abençoe.

Dr. Belmiro d'Arce
Dr. Belmiro d'Arce
Dr. Belmiro d'Arce fala sobre a importância de promover a saúde em todos os meios, inclusive na gestão de empresas. É médico pediatra, professor, empresário, orientador e palestrante.

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